Só posso escrever o que sinto,
Se passo a entender o sentido,
Quando tudo se apresenta esclarecido.
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A chave não mais abre a porta,
Que a pouco estava em minhas mãos,
A toda hora sentia,
O leve toque de impulso,
Num breve girar de uma chave.
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A chave não mais abre aquela,
Que a pouco também obedecia,
O giro se torna impossível,
Mais parece ousadia.
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Daquela que não mais responde,
Não mais corresponde,
Ao toque e impulso,
Que já não gira mais…
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A chave não mais abre a porta,
Talvez seja por rebeldia,
Ou quem sabe,
Por pura sensação,
Dos emperros passados,
Tornou-se tão dura,
Quase insensível,
A ponto de não mais corresponder…
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A chave já não mais abre aquela,
Nem gira na fechadura ideal,
Como o tempo tão bem corroeu,
Deixando a ferrugem nas profundezas,
Lascas em suas bases,
Muito danificou,
Enferrujou,
Estagnou,
Todo o resto se modificou…
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A chave já não mais serve,
Naquela porta emperrada,
À tanto tempo que serviu,
Nesse vai e vem da mesma dança…
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São tão rotineiros e desgastados,
Os toques naquela fechadura,
A chave não prestou atenção,
Naquela porta emperrada,
Coitada,
Tão gasta,
Aquela que só precisava,
De um pouco mais de manutenção…
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Agora,
A chave em minhas mãos,
Não gira nem pra direita,
E muito menos pra esquerda,
Emperrada e mal cuidada,
Isto só pode ser brincadeira…
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E foi mesmo,
Somente brincadeira,
Se tivesse prestado atenção,
A chave não diria esse não,
Aos meus impulsos e apelos,
Do leve e delicado toque,
Apenas de uma mão,
Que somente quer,
Abrir simplesmente esta porta…
Mili
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